Olá!
Bom semestre para todos nós....
Para iniciar nossos trabalhos de redação, leia cuidadosamente a crônica abaixo, escrita por Luís Fernando Veríssimo;
Crônica de Luis Fernando Veríssimo
VOCE É A FAVOR OU CONTRA O DESARMAMENTO???
Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa.
Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham la de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.
Liguei baixinho para a polícia informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível. Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:
- Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate , uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
- Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
- Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.
Luís Fernando Veríssimo
"Um homem pode possuir mil acres de terra, mas dorme numa cama de dois metros."
Provérbio chinês
Referendo sobre o desarmamento: 7 Razões para votar Não
Extraído da Reportagem de Capa Referendo da Fumaça, da Revista Veja de 05 de Outubro de 2005, pág. 76 a 88 assinada por Jaime Klintowitz.
7 Razões para votar ?Não? na consulta que pretende desarmar a população e fortalecer o contrabando de armas e o arsenal dos bandidos.
A revista Veja alinha 7 razões para votar NÃO no referendo sobre o comércio de armas de fogo convocado para o próximo dia 23. Veja acredita que melhor serve aos interesses de seus leitores e do país, incentivando a rejeição da proibição, aconselhando a votar NÃO no próximo referendo.
A pergunta que está sendo feita no referendo das armas é um disparate. Ela ilude o eleitor.
A pergunta ?O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?? esconde uma enorme complexidade... O que torna o referendo das armas um erro em sua essência é justamente fazer pouco da boa-fé dos brasileiros que sofrem com o banditismo. O referendo é um despiste, uma tentativa de mudar de assunto, de desviar a atenção das pessoas do mal que realmente as atormenta: o banditismo.
A maneira como a pergunta do referendo foi formulada é, em si, desonesta. ?Se me permitissem formular a questão do referendo de modo que o resultado fosse favorável ao desarmamento, eu teria feito exatamente a frase que será apresentada aos eleitores?, diz José Paulo Hernandez, diretor de Pesquisa da Gallup Organization.
Ninguém de boa fé pode ser favorável à venda indiscriminada de armas de fogo... O desastre é que se vencer o SIM, ele apenas vai desequilibrar mais ainda o balanço de forças entre as pessoas comuns e os bandidos ? a favor dos bandidos. ?As mazelas da insegurança nacional não decorrem do excesso de armas nas mãos da população, mas de uma polícia, um sistema judicial e um sistema prisional ineficientes?.
O próprio nome da campanha ? pelo desarmamento ? é enganoso. O título tem o apelo popular, mas não traduz com fidelidade o que está sendo proposto. Não se trata de um consulta sobre o desarmamento, mas sobre a proibição do comércio de armas.
Há 2,5 milhões de armas legalmente registradas em mãos de cidadãos comuns. Em termos percentuais, significa que 1,4% dos brasileiros tem uma arma que pode ser uma espingarda de caça. É contra essas pessoas que está sendo brandido o referendo. Na falta de qualquer outra estratégia real, que enfrente o crime e a corrupção policial com persistência, surgiu a solução da democracia direta que fará muito barulho por nada. É mais uma oportunidade perdida.
1o Motivo Para Votar NÃO Os países que proibiram a venda de armas tiveram aumento da criminalidade e da crueldade dos bandidos.
A Jamaica, um dos países mais violentos da América, baniu as armas de fogo em 1974. De lá para cá, a situação piorou, e com o acréscimo de um novo elemento, o mercado negro de armamentos. ?Os criminosos jamaicanos encontram pistolas e revólveres contrabandeados facilmente, enquanto o cidadão honesto que quer ter uma arma é obrigado a recorrer à ilegalidade? disse o canadense Gary Mauser, pesquisador do Instituto de Estudos Urbanos do Canadá e especialista em políticas de controle de armas, à revista cujo artigo resumimos.
Em 1996, a Austrália baniu os modelos automáticos e semi-automáticos e tirou 700.000 armas de circulação, um sexto do arsenal do país ? mas o número de homicídios se manteve inalterado. Na Inglaterra, desde o banimento das armas com calibre superior a 22 milímetros, em 1997, os crimes de morte aumentaram em 25% e as invasões de residências em torno de 40%.
?Com a população desarmada os riscos são menores para os criminosos?, diz o economista John Lott, autor de dois livros sobre desarmamento.
2o Motivo Para votar NÃO As pessoas temem as armas. A vitória do ?Sim? no referendo não vai tirá-las de circulação no Brasil.
A culpa pelos altos índices de criminalidade e de homicídios não é da arma, mas de quem a tem em mãos. Revólveres não transformam cidadãos em assassinos.
A Suíça é um dos países mais armados do mundo. São 2 milhões de armas ? entre elas 600.000 fuzis e 500.000 pistolas ? para uma população de 7 milhões de pessoas. As ocorrências de crime por arma de fogo são tão baixas que nem sequer têm valor estatístico.
Em especial, os países de fronteira, com grandes espaços a ser ocupados, como os Estados Unidos, o Canadá, e o Brasil, têm a tradição da posse da arma e da caça. Nas zonas rurais brasileiras, longe dos pontos policiais, serve para sitiantes e fazendeiros defenderem suas propriedades de assaltos, invasões do MST e dos ataques de animais predadores e criações.
As armas, assim como as bebidas alcoólicas ou os automóveis, não causam estragos por conta própria. Só se tornam nocivas se forem mal utilizadas.
3o Motivo para Votar NÃO O desarmamento da população é historicamente um dos pilares do totalitarismo. Hitler, Stalin, Mussolini, Fidel Castro e Mao Tse-Tung estão entre os que proibiram o povo de possuir armas.
Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano, listou o desarmamento da população entre as providências essenciais para garantir o controle totalitário da sociedade.
Hitler desarmou os alemães e os povos dos países ocupados, mas distribuiu armas entre milícias fiéis ao regime. É o mesmo que atualmente fazem Fidel Castro em Cuba e o coronel Hugo Chávez na Venezuela.
| Por que João Stédile, do MST, apóia o desarmamento: Seis de cada dez armas existentes no Brasil estão em área rurais. ?Nas áreas rurais, a dezenas de quilômetros de uma delegacia de polícia, ter uma arma de fogo é uma necessidade?. Sem as armas, perderiam também um poderoso instrumento de dissuasão usado para prevenir saques e invasão do MST. É por isso que João Pedro Stédile, o líder máximo do MST, apóia o desarmamento: na próxima invasão, terá a segurança de que não enfrentará resistência armada. |
4o Motivo Para Votar NÃO A polícia Brasileira é incapaz de garantir a segurança dos cidadãos.
O fato de a segurança coletiva ser atribuída ao Estado não elimina o direito de autodefesa do cidadão para proteger a própria vida.
Em países como o Brasil, em que a impunidade de criminosos, a ineficácia das leis, e a violência urbana fazem parte do imaginário nacional, é natural que a confiança dos cidadãos no Estado desapareça. A desconfiança da população tem respaldo nas estatísticas: apenas um décimo dos 50.000 homicídios que acontecem por ano no Brasil é esclarecido pela polícia.
5o Motivo Para Votar NÃO A proibição vai alimentar o já fulgurante comércio ilegal de armas.
Bandidos não compram armas em lojas. ?A maior parte das armas em poder do crime organizado é obtida por meio de contrabando?, diz o delegado Carlos Oliveira, titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos do Rio de Janeiro.
A proibição do comércio de armas de fogo não vai por fim ao mercado de armas e munições. A medida, além de contribuir para o crescimento do mercado clandestino, pode colocar o cidadão de bem em situação irregular.
6o MotivoPaar Votar NÃO Obviamente, os criminosos não vão obedecer à proibição do comércio de armas.
Em vista das pesadas restrições que cercam a venda de armas no Brasil, todo o mastodôntico referendo foi criado, em última análise, para decidir sobre um reles arsenal de 3000 revólveres e armas de caça vendidos por ano. Isso num país em que se estima existirem 8 milhões de armas clandestinas.
7o Motivo Para Votar NÃO O Referendo desvia a atenção daquilo que deve realmente ser feito: a limpeza e o aparelhamento da polícia, da justiça e das penitenciárias.
?Crime se combate com uma polícia honesta e bem equipada, não com o desarmamento da população?, diz o paulista José Vicente da Silva Filho, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública.
O governo federal gasta, por ano, 170 milhões de reais com segurança pública. Isso é menos do que os 270 milhões de reais que serão gastos com o referendo. Com esse dinheiro seria possível comprar 10.500 viaturas e 385 000 coletes à prova de bala para a polícia. O recurso seria ainda mais bem aplicado se fosse usado na aquisição de computadores para as delegacias e na unificação do banco de dados das forças públicas.
Por Moema Soares - Gerente de Jornalismo em: Blog da Janga | 14:15
Mais uma vez usamos nosso espaço para falar sobre os riscos de arma de fogo em casa e a necessidade de desarmamento. Hoje, o filho de um escrivão da polícia civil saiu da escola mais cedo e foi para casa acompanhado de amigos. Na residência, o menino decidiu mostrar aos colegas de classe a pistola do pai. A arma disparou e o tiro atingiu o melhor amigo do garoto, que morreu na hora.
O drama vivido pela família do policial civil nos comove. Mas também alerta para os cuidados com arma de fogo e principalmente a necessidade cada vez maior do desarmamento geral. Confira o editorial de hoje do Barra Pesada sobre o tema.

Vimos mais essa tragédia, envolvendo adolescentes. Um vai mostrar a arma do pai policial a um amigo de escola e por um disparo acidental atinge o amigo com um tiro mortal na cabeça.
Esse problema de arma em casa ao alcance de menores ou de pessoas que não sabem lidar com elas, já tem causado grandes tormentos. E esse sentimento de terror, nas pessoas, fruto dos traumas, do aumento da criminalidade, da ineficiência da segurança, que atinge a todos, é o grande indutor da generalização das falsas defesas.
As pessoas pensam que tendo uma arma em casa, estão mais protegidas. Mas não é verdade. Profissionais são treinados para saber usar a arma como instrumento de trabalho em serviço. Vez por outra, porém, são surpreendidos pelo uso inadequado. Não queremos aqui fazer nenhum juízo de valor sobre esse caso em si, mais uma lamentável tragédia. Queremos tão somente aproveitar o episódio para insistir sobre a necessidade de desarmamento geral: dos criminosos e do cidadão que quer a paz.
A arma não produz o bem. A história é de destruição e de morte. Portanto, vamos cobrar segurança dos governos e nos desarmar, sobretudo dos maus sentimentos responsáveis pela onda de violência que varre o mundo.
Escreva um texto dissertativo em que você se posicione em relação ao assunto indicado. Tome como base os textos constantes em sua apostila, eles servirão de ponto de apoio para a elaboração de seu texto.
Entregue sua redação na próxima terça-feira, na primeira aula.